Agenda de Mercados: PIB do Brasil, IPCA-15 e PCE dos EUA
Semana decisiva para os mercados: IBGE divulga IPCA-15 de maio na quarta e o PIB do 1º trimestre de 2026 na quinta. Nos EUA, o PCE fecha o calendário.

Agenda de Mercados: PIB do Brasil, IPCA-15 e PCE dos EUA dominam a semana
A semana que começa nesta segunda-feira (25/05) é uma das mais carregadas do calendário econômico de 2026. Em dois dias consecutivos — quarta e quinta-feira — o IBGE publica a prévia da inflação de maio e o resultado do PIB do primeiro trimestre. Do outro lado do Atlântico, os Estados Unidos encerram o calendário com o PCE de abril, o índice de preços preferido do Federal Reserve. Para o mercado financeiro brasileiro, o conjunto de dados vai recalibrar apostas sobre a trajetória da Selic e o câmbio.
IPCA-15 de maio: prévia da inflação chega na quarta-feira
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) referente a maio de 2026 será divulgado pelo IBGE na quarta-feira, 28 de maio. O indicador funciona como a prévia do IPCA cheio — ele é coletado entre o dia 16 do mês anterior e o dia 15 do mês de referência — e serve como termômetro antecipado da pressão inflacionária.
O contexto é delicado. O IPCA acumulado nos últimos 12 meses está em torno de 4,39%, próximo ao teto da meta de 4,5% definida pelo Conselho Monetário Nacional. A prévia de abril do IPCA-15 já havia acelerado para 0,89% no mês, com o acumulado de 12 meses escalando para 4,37%. O mercado financeiro, conforme o último Boletim Focus (4/mai/2026), projetava o IPCA de 2026 fechando em 4,89% — oitava alta consecutiva na pesquisa e acima do teto da meta.
O principal vetor de pressão segue sendo a energia. O conflito no Oriente Médio elevou os preços internacionais de petróleo e combustíveis, transmitindo-se para o custo do transporte e da energia elétrica no Brasil. Uma leitura acima do esperado no IPCA-15 de maio pode reacender o debate sobre o ritmo de cortes na Selic.
PIB do 1º trimestre de 2026: resultado sai na quinta-feira
Na quinta-feira, 29 de maio, o IBGE divulga o Sistema de Contas Nacionais Trimestrais com o resultado do PIB do primeiro trimestre de 2026 — o dado mais aguardado da semana para quem acompanha atividade econômica.
O pano de fundo é positivo, mas com ressalvas. Em 2025, o PIB brasileiro fechou em 2,3%, com expansão em todas as atividades, puxado principalmente pela agropecuária. O quarto trimestre de 2025, porém, mostrou crescimento mais modesto: apenas 0,1% na série dessazonalizada, em linha com o previsto pelo Banco Central.
Para o primeiro trimestre de 2026, as projeções são mais otimistas. O JPMorgan, em análise de abril, estimou crescimento a uma taxa anualizada de 3,6% na comparação trimestral — revisão para cima ante os 2,8% projetados anteriormente —, refletindo desempenho mais robusto da indústria, do varejo e dos serviços. Entre janeiro e fevereiro, a produção industrial acumulou alta de 3%, as vendas no varejo subiram 2% e o setor de serviços avançou 0,2%.
O Banco Central, em seu Relatório de Política Monetária de março, manteve a projeção de crescimento anual em 1,6% para 2026, ressaltando maior incerteza. A visão do mercado, medida pelo Focus, estava ligeiramente mais otimista, com expansão de cerca de 1,85% no ano.
Vale a ressalva analítica do BC: um resultado forte no primeiro trimestre, isolado, não significa aceleração estrutural. A instituição alertou que "interpretações sobre o grau de aquecimento da atividade econômica, especialmente no início de 2026, devem ser feitas com cautela." O JPMorgan ecoou a mesma leitura, projetando desaceleração a partir do segundo trimestre, com crescimento abaixo do potencial no segundo semestre.
PCE dos EUA: o índice que o Fed mais observa
Nos Estados Unidos, o calendário da semana tem como destaque a divulgação do PCE (Personal Consumption Expenditures) de abril, o índice de inflação preferido do Federal Reserve para calibrar a política monetária.
O dado chega num momento de pressão inflacionária clara. O CPI (Índice de Preços ao Consumidor) de abril já havia surpreendido para cima: 3,8% no acumulado de 12 meses, o maior nível desde maio de 2023, superando as previsões de 3,7%. Os custos de energia saltaram 17,9% no período — o maior aumento anual desde setembro de 2022 — com a gasolina subindo 28,4%. O núcleo da inflação (que exclui alimentos e energia) acelerou para 2,8% ao ano.
O Fed mantém os juros no patamar restritivo de 3,50% a 3,75% ao ano, e o mercado financeiro já precifica poucas chances de corte até o final de 2026. Um PCE acima do esperado confirmaria essa leitura e tenderia a pressionar o dólar para cima globalmente — com reflexo direto no câmbio e na inflação brasileira.
Selic a 14,5%: o pano de fundo doméstico
O pano de fundo para toda essa agenda é o atual patamar da taxa básica de juros brasileira. O COPOM, em reunião de 29 de abril de 2026, cortou a Selic em 0,25 ponto percentual para 14,5% ao ano — segunda redução consecutiva —, por unanimidade. A decisão havia sido antecipada pelo mercado.
O ciclo de flexibilização, contudo, é lento e condicionado. O Banco Central opera em terreno espinhoso: a inflação ainda se aproxima do teto da meta, o conflito no Oriente Médio pressiona os preços de energia, e dois assentos no Copom seguiam vagos após a expiração do mandato de dois diretores no fim de 2025. O Focus projeta a Selic encerrando 2026 em 13,00% ao ano — ainda em território restritivo.
Os dados da semana — IPCA-15 e PIB — vão alimentar diretamente a discussão do COPOM de junho (16 e 17 de junho) sobre o ritmo de cortes.
Análise: o que pode acontecer
A semana concentra três divulgações que, em conjunto, pintam um quadro econômico de dupla tensão: atividade razoavelmente resiliente no início de 2026, mas inflação que teima em não recuar com convicção. Essa combinação é exatamente o tipo de cenário que dificulta a vida dos bancos centrais — no Brasil e nos EUA.
O ponto central não é se o PIB vai surpreender ou não: é o que o resultado vai sinalizar sobre a sustentabilidade do crescimento. Um primeiro trimestre forte é esperado, mas o mercado sabe que há efeito de carregamento estatístico do desempenho anterior. A questão real é o ritmo do segundo semestre — e os dados de inflação da semana são mais relevantes para essa equação do que o próprio número do PIB.
Cenário base (mais provável): PIB do 1T26 vem forte (próximo a 1% na margem dessazonalizada), confirmando resiliência do início do ano. IPCA-15 de maio fica entre 0,5% e 0,7%, com 12 meses ainda perto do teto da meta. PCE americano confirma pressão inflacionária persistente. O COPOM de junho corta a Selic em 0,25 p.p. para 14,25%, mas sinaliza cautela e ritmo lento. Câmbio permanece no intervalo de R$ 5,20–5,40.
Cenário de alerta (possível): IPCA-15 de maio acelera acima de 0,8% e o PCE americano surpreende para cima. Esse combo forçaria o Fed a manter juros altos por mais tempo, pressionando o dólar globalmente. No Brasil, o Copom poderia pausar o ciclo de cortes em junho — ou reduzir para 0,25 p.p. com comunicado mais duro. Expectativas de inflação se deteriorariam mais no Focus, e as projeções de IPCA 2026 poderiam superar 5%.
Cenário otimista (menos provável): PIB do 1T26 muito forte e IPCA-15 abaixo do esperado, sugerindo que a atividade não está pressionando preços. O mercado poderia antecipar um ciclo de cortes da Selic mais rápido para o segundo semestre. Improvável porque o choque de energia externo ainda não se dissipou.
A leitura mais provável da redação: os dados confirmam crescimento modesto com inflação resistente — o chamado "pouso suave com atrito". O COPOM terá espaço para cortar em junho, mas o ciclo de afrouxamento será mais curto do que o mercado gostaria. O curinga é o PCE americano: um número fora do consenso, para cima, pode mudar a precificação global de juros e arrastar o câmbio brasileiro — tornando a vida do Banco Central ainda mais difícil.
Perguntas frequentes
quando o ibge divulga o pib do primeiro trimestre de 2026?
O IBGE divulga o resultado do PIB do 1º trimestre de 2026 na quinta-feira, 29 de maio de 2026, pelo Sistema de Contas Nacionais Trimestrais.
quando sai o ipca-15 de maio de 2026?
O IPCA-15 de maio de 2026 é publicado pelo IBGE na quarta-feira, 28 de maio de 2026.
o que é o pce e por que ele importa para o brasil?
O PCE (Personal Consumption Expenditures) é o índice de inflação preferido do Federal Reserve americano para tomar decisões sobre os juros dos EUA. Um PCE mais alto tende a manter os juros americanos elevados por mais tempo, o que valoriza o dólar frente ao real e pressiona a inflação brasileira.
qual é a taxa selic atual?
A Selic está em 14,5% ao ano, após corte de 0,25 ponto percentual decidido pelo COPOM em 29 de abril de 2026. O mercado projeta a taxa encerrando 2026 em 13% ao ano, conforme o Boletim Focus.
o crescimento do pib no 1t26 garante que o ano vai ser bom?
Não necessariamente. Analistas como JPMorgan alertam que o resultado forte do primeiro trimestre reflete, em grande parte, um efeito de carregamento estatístico do ano anterior — e não uma melhora estrutural. A projeção para o segundo semestre aponta desaceleração.
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