Política & Mercado

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Copom decide Selic hoje: corte ou pausa em junho de 2026?

O Comitê de Política Monetária do Banco Central anuncia nesta quarta (17) a nova taxa Selic. Mercado se divide entre novo corte a 14,25% e pausa no ciclo.

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Daniel Krust
··7 min de leitura
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central do Brasil, em coletiva sobre a decisão da taxa Selic pelo Copom em junho de 2026

Copom decide Selic hoje: corte ou pausa em junho de 2026?

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nesta quarta-feira (17 de junho) para definir o rumo da taxa Selic. A decisão será anunciada ao início da noite e chega em um dos momentos mais delicados do atual ciclo de flexibilização monetária: a inflação ultrapassou o teto da meta, o cenário externo segue instável, e o mercado está genuinamente dividido.

O pano de fundo: de onde vem a Selic de 14,5%

Para entender o que está em jogo hoje, é preciso voltar ao início do ciclo. A Selic permaneceu em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior patamar em quase duas décadas. O Banco Central manteve os juros nesse nível restritivo durante meses como resposta à aceleração da inflação e às incertezas do cenário externo — especialmente a política econômica nos Estados Unidos.

O alívio começou de forma cautelosa. Em março de 2026, o Copom realizou o primeiro corte do ciclo, seguido de uma segunda redução de 0,25 ponto percentual em 29 de abril, levando a Selic a 14,5% ao ano. Em ambas as ocasiões, a decisão foi tomada por unanimidade entre os membros do colegiado.

O desafio, porém, ficou maior depois dessas reduções. A inflação, que vinha desacelerando, ganhou novos vetores de pressão — e a reunião de junho encontra o Banco Central num ponto de equilíbrio frágil.

O que está pressionando a inflação agora

Dois fatores dominam a análise do Copom nesta reunião:

1. A guerra no Oriente Médio O conflito entre Israel, Irã e Estados Unidos elevou a aversão ao risco global e pressionou os preços de petróleo e alimentos. Isso se refletiu diretamente nos índices de preços brasileiros. O IPCA de maio registrou alta de 0,58%, e a inflação acumulada em 12 meses chegou a 4,72%, segundo dados do Banco Central — já muito próxima do teto da meta contínua de 4,5%.

2. Expectativas desancoradas O Boletim Focus mais recente — pesquisa semanal com economistas consultados pelo BC — elevou a projeção para o IPCA de 2026 para 5,11%. Esse número está acima do teto da meta de inflação (4,5%), o que é politicamente e tecnicamente desconfortável para uma autoridade monetária que acaba de entrar num ciclo de cortes.

Quando as expectativas de inflação ficam "desancoradas" em relação à meta oficial, o Banco Central enfrenta um dilema clássico: continuar cortando juros pode realimentar a inflação; pausar o ciclo pode travar o crédito e o crescimento.

O que o mercado projeta para hoje

O mercado financeiro está dividido, mas a aposta majoritária ainda é de um novo corte de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Selic a 14,25% ao ano.

Veja as principais projeções de instituições financeiras para o encerramento de 2026:

  • BTG Pactual: projeta corte hoje, Selic encerrando o ano em 14,25%
  • XP Investimentos: corte hoje, Selic em 14% no fim de 2026, IPCA em 5,3%
  • Warren Investimentos: manutenção agora com tom neutro, corte apenas na última reunião do ano — Selic em 14,25% ao fim de 2026
  • Armos Capital: Selic em 14% ao fim de 2026 e até meados de 2027

O Boletim Focus sinaliza a Selic em 14,25% ao fim de junho — o que implica que a mediana das expectativas ainda considera um corte nesta reunião. Mas a mesma pesquisa mostra que a projeção para o fim do ano tem subido, refletindo o endurecimento das condições inflacionárias.

O que está em jogo além do número

A decisão de hoje vai além de 0,25 ponto percentual. O que o mercado e a sociedade vão ler com atenção é a comunicação do Copom: o comunicado pós-reunião e, depois, a ata — a publicar nos dias seguintes — dirão se o BC sinaliza nova redução à frente, adota tom neutro ("dependente de dados") ou avisa que pausará o ciclo.

Na reunião de abril, o Copom já deixou de dar uma "seta" para a próxima decisão, alertando que a magnitude do ciclo seria determinada "ao longo do tempo". Isso foi interpretado como sinal de cautela — e o ambiente piorou desde então, com a inflação acumulada em 12 meses encostando no teto da meta.

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) tem pressionado por continuidade dos cortes: segundo a entidade, os juros elevados já geraram "níveis recordes de endividamento corporativo e inadimplência" e representam "corrosão da base produtiva". Por outro lado, analistas alertam que cortar juros com inflação acima do teto da meta enfraquece a credibilidade da autoridade monetária — um ativo que leva anos para ser construído e dias para ser erodido.

Análise: o que pode acontecer

A reunião de junho de 2026 é, na prática, um teste de credibilidade para o Banco Central. O presidente Gabriel Galípolo herdou uma instituição que manteve juros restritivos por quase um ano para debelar a inflação — e que agora precisa navegar entre a pressão por crédito mais barato e uma inflação que ainda não cedeu de forma consistente. Cortar agora, com o IPCA acumulado encostando no teto da meta e as expectativas em 5,11%, é uma aposta de que o choque inflacionário é temporário. Pausar seria mais defensivo, mas encarece o custo do capital num momento em que a economia ainda resiste a um pleno aquecimento. Ambas as escolhas têm custo — e o comunicado de hoje dirá qual risco o BC considera menor.

Cenário base — corte de 0,25 p.p. com tom neutro (mais provável) O Copom realiza o terceiro corte seguido, levando a Selic a 14,25%, mas adota linguagem que não compromete a próxima decisão. O comunicado reforça a dependência de dados, sem sinalizar nova redução. Esse cenário preserva o ciclo de flexibilização sem abrir mão da credibilidade antiinflacionária. É o que a maioria das casas projeta e tende a ser bem recebido pelo mercado — desde que o tom não seja interpretado como "porta aberta para pausa imediata".

Cenário alternativo — pausa no ciclo Uma fração do mercado acredita que o BC pode interromper o ciclo agora, diante do IPCA acumulado acima do teto e das projeções de 2026 em 5,11%. Nesse caso, o comunicado precisaria ser especialmente habilidoso para não elevar os prêmios de risco e o dólar. A pausa sinalizaria seriedade com a meta contínua, mas geraria pressão política e críticas do setor produtivo.

Cenário de deterioração — choque externo piora Se o conflito no Oriente Médio se intensificar ou se um acordo de cessar-fogo esperado para os próximos dias não se concretizar, a pressão sobre combustíveis e câmbio pode forçar o BC a adotar tom mais hawkish ainda em 2026, elevando o custo de capital e travando investimentos. Esse é o "curinga" do ciclo atual.

A aposta analítica desta redação: o cenário mais provável é o corte de 0,25 p.p. com comunicado cauteloso e sem compromisso com a próxima reunião. O Banco Central tem incentivos para manter o ciclo vivo — parar agora seria admitir que os cortes de março e abril foram prematuros. O curinga real é o Oriente Médio: um novo choque de petróleo pode mudar todo o cálculo antes mesmo da próxima reunião, em agosto.


Perguntas frequentes

Qual é a taxa Selic atual antes da reunião de junho de 2026?

A Selic está em 14,5% ao ano, após dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual realizados em março e abril de 2026. Antes disso, ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026.

O Copom vai cortar ou manter os juros na reunião de hoje (17/06)?

A maioria do mercado aposta em novo corte de 0,25 p.p., levando a Selic a 14,25%. Mas parte das instituições projeta uma pausa, diante da inflação acumulada em 4,72% em 12 meses e projeções do Focus em 5,11% para 2026 — acima do teto da meta de 4,5%.

Por que a inflação está acima do teto da meta em 2026?

O principal fator apontado pelos analistas é o conflito no Oriente Médio, que pressionou os preços de combustíveis e alimentos no Brasil. Antes do início da guerra, as estimativas de mercado para o IPCA de 2026 estavam em torno de 3,95%; após o conflito, subiram para o patamar atual de 5,11%.

Qual é a meta de inflação do Banco Central?

Desde janeiro de 2025, o Brasil adota o sistema de meta contínua: a meta é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O teto é, portanto, 4,5%. A apuração é feita mês a mês com base na inflação acumulada nos últimos 12 meses.

O que muda no bolso do brasileiro se a Selic cair para 14,25%?

Um corte de 0,25 p.p. tem efeito modesto no curto prazo, mas tende a baratear gradualmente o crédito — de financiamentos imobiliários a cartões e empréstimos pessoais. Os juros ao consumidor final seguem altos porque os bancos adicionam outros fatores ao custo do dinheiro, como risco de inadimplência.

Tags:#Copom#Selic#Banco Central#juros#inflação#política monetária#IPCA#economia Brasil

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