Ibovespa sobe 0,87% a 171.990 pts com IPCA-15 e BC
Após queda na quarta, Ibovespa recupera terreno e fecha a 171.990 pontos. IPCA-15 mais fraco e sinal do BC sobre Selic animaram o mercado em 25/06.

Ibovespa sobe 0,87% e volta a 171 mil pontos com alívio da inflação e sinal do BC
Depois de uma quarta-feira de pressão, a bolsa brasileira respirou. O Ibovespa fechou a sessão de quinta-feira, 25 de junho de 2026, em alta, impulsionado por dois catalisadores domésticos que o mercado esperava com expectativa: a prévia da inflação de junho e o novo Relatório de Política Monetária do Banco Central.
O que aconteceu no pregão de quinta-feira
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira em alta de 0,87%, aos 171.990,20 pontos, impulsionado pelo alívio trazido pelo IPCA-15 de junho, que veio abaixo das expectativas do mercado, e pela avaliação de que o Banco Central manteve aberta a possibilidade de novos cortes na Selic.
O principal índice da bolsa oscilou entre a mínima de 170.507,92 pontos e a máxima de 173.277,09 pontos, enquanto o volume financeiro somou R$ 22,04 bilhões.
A recuperação é relevante porque contrasta diretamente com o pregão anterior. A última cotação referente ao pregão de quarta-feira (24) foi de 170.506,66 pontos, com queda de 0,44%. Ou seja, o índice desfez a perda de ontem e avançou para território positivo, se mantendo solidamente acima da marca psicológica de 170 mil pontos.
Dólar recua, mas abriu em alta
O câmbio também inverteu a direção ao longo do dia. O dólar à vista encerrou o dia com queda de 0,39%, aos R$ 5,1805. Após marcar a cotação máxima de R$ 5,2204 (+0,38%) às 9h35, a moeda atingiu a mínima de R$ 5,1667 às 13h26, mantendo-se no território negativo até o fechamento.
No ano, a moeda passou a acumular baixa de 5,62% ante o real. O real tem se beneficiado do diferencial de juros em relação ao exterior e da entrada de fluxo estrangeiro no Brasil — o Brasil recebeu US$ 8,196 bilhões líquidos em junho até o dia 19, segundo o Banco Central.
IPCA-15: inflação mais fraca abre espaço para o BC
O principal gatilho da sessão positiva veio do IBGE pela manhã. A prévia da inflação de junho foi de 0,41%, 0,21 ponto percentual abaixo da taxa de maio (0,62%), segundo dados do IPCA-15 publicados pelo IBGE nesta quinta-feira.
Os resultados ficaram ligeiramente abaixo das expectativas em pesquisa da Reuters, de altas de 0,44% na base mensal e de 4,82% em 12 meses. Na base de comparação anual, o avanço ficou em 4,80%.
A desaceleração importa por dois motivos. Primeiro, reduz a pressão sobre as expectativas de inflação futura. Segundo, e talvez mais importante para os mercados, amplia o espaço para que o Banco Central continue — ou volte a — cortar a Selic.
Banco Central eleva projeção de PIB e mantém cortes em aberto
A agenda do dia incluiu ainda a divulgação do Relatório de Política Monetária (RPM) do segundo trimestre e uma coletiva de imprensa com dirigentes do BC. Antes da abertura do mercado, o BC divulgou seu RPM, elevando de 1,6% para 2,0% a projeção de crescimento do PIB em 2026, citando a aceleração da atividade, o mercado de trabalho resiliente e as medidas de estímulo do governo.
Investidores interpretaram o RPM e as declarações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, como sinais de que o processo de flexibilização monetária continua em aberto, embora dependa da evolução dos indicadores econômicos.
Na coletiva, Galípolo também abordou a repercussão negativa da reunião anterior do Copom. O presidente do BC afirmou que os ruídos gerados após a última reunião do Comitê de Política Monetária foram consequência de um excesso de informações no comunicado divulgado pela autoridade monetária. Durante a apresentação do RPM, Galípolo reconheceu que um dos trechos do texto acabou provocando interpretações divergentes no mercado financeiro.
Cabe lembrar que, na reunião de junho, o Copom confirmou as expectativas do mercado e reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano. Galípolo destacou que a redução de 0,25 ponto percentual da Selic já era a alternativa considerada mais provável por grande parte dos participantes consultados pelo BC antes da reunião.
O diretor Paulo Picchetti, por sua vez, deu sinalizações sobre a estratégia de prazo mais longo. Segundo Picchetti, a autoridade monetária chamou atenção para o primeiro trimestre de 2028 porque avalia que o choque de oferta gerado pela guerra no Oriente Médio e pelo fenômeno El Niño afeta a inflação, mas é insensível ao que o BC faz com os juros. Picchetti afirmou que um choque de juros "não abriria o Estreito de Ormuz" nem afetaria o El Niño, mas causaria uma desaceleração desordenada da atividade.
Destaques do pregão: Braskem afunda, Vale reage
Nem tudo foi positivo no índice. O Ibovespa avançou com apoio principalmente das ações de bancos, enquanto Braskem recuava mais de 10% após dar início a processo de mediação com credores financeiros e ingressar com um pedido de tutela de urgência cautelar na Justiça.
Apesar da recuperação do petróleo, as ações da Petrobras encerraram o pregão sem direção única. Já a Vale voltou a subir e ajudou a sustentar o avanço do índice, enquanto o fechamento da curva de juros favoreceu empresas ligadas ao consumo doméstico.
A Vale carrega ainda um ruído de governança importante: a Vale caiu nos últimos pregões após seu conselho aprovar por unanimidade uma assembleia de acionistas em 22 de julho para votar a remoção do presidente Daniel Stieler, após um pedido de seu maior acionista, a Previ.
Cenário externo: alívio com Fed, tensão no Oriente Médio
Pela manhã, a divulgação de números de inflação nos EUA ligeiramente abaixo do esperado por alguns investidores trouxe certo alívio nas apostas de alta de juros pelo Federal Reserve, o que pesou sobre os rendimentos dos Treasuries e sobre o dólar ante boa parte das demais divisas.
Porém, o risco geopolítico seguiu presente. Os futuros do Brent reverteram a trajetória matinal de queda, se aproximando de US$ 76 por barril, após o ataque a uma embarcação no Estreito de Ormuz. Novas reviravoltas no Oriente Médio que possam colocar em risco a recém-aberta rota por Ormuz podem impulsionar sentimentos de aversão ao risco desfavoráveis ao real.
Análise: o que pode acontecer
O pregão desta quinta-feira sintetiza bem o dilema que o mercado brasileiro enfrenta: há genuínas boas notícias no front doméstico — inflação desacelerando, BC cortando juros com cautela, PIB sendo revisado para cima —, mas o ruído externo não some. A guerra no Oriente Médio e sua pressão sobre o petróleo funcionam como um teto informal para o otimismo. Cada ataque no Estreito de Ormuz pode reverter em horas o que o IPCA-15 levou o mês inteiro para construir.
O comportamento do BC merece atenção especial. O fato de Galípolo manter "em aberto" a possibilidade de novos cortes é diferente de sinalizar que eles vão acontecer. O RPM revisou o PIB para cima, o que, em outros tempos, seria argumento para frear afrouxamento monetário. Se a inflação voltar a surpreender para cima — algo que o BC explicitamente teme no caso de um novo fechamento de Ormuz —, o ciclo de cortes pode ser suspenso antes do previsto.
Cenário base — continuidade gradual de cortes: Com o IPCA-15 abaixo do esperado e o fluxo estrangeiro ainda positivo (US$ 8,2 bi em junho até o dia 19), o ambiente favorece que o Copom faça mais um corte de 0,25pp na próxima reunião, mantendo o Ibovespa acima dos 170 mil pontos e o dólar na faixa de R$ 5,10–5,25. É o cenário mais provável enquanto o Oriente Médio não escalar.
Cenário de pressão externa — petróleo acima de US$ 80: Uma escalada no Estreito de Ormuz que leve o Brent para além dos US$ 80/barril voltaria a pressionar combustíveis, reacender a inflação de alimentos (via custos logísticos) e forçar o BC a pausar os cortes. Nesse caso, o dólar pode retornar à faixa de R$ 5,30–5,40, e o Ibovespa testaria o suporte dos 165 mil pontos.
Cenário de surpresa positiva — inflação cadente e Fed dovish: Se o índice PCE americano confirmar desinflação nos EUA, o Fed pode sinalizar corte de juros ainda em 2026. Combinado com IPCA convergindo para dentro da meta, isso atrairia mais capital para emergentes. O real se valorizaria, o Ibovespa poderia testar os 180 mil pontos até o fim do terceiro trimestre.
A leitura mais provável desta redação: O cenário base prevalece no curto prazo, mas com volatilidade acima do normal. O curinga é a geopolítica — não os fundamentos domésticos, que estão razoavelmente alinhados.
Perguntas frequentes
o que levou o ibovespa a subir hoje, 25 de junho de 2026?
O principal gatilho foi o IPCA-15 de junho, que veio em 0,41% — abaixo dos 0,44% esperados pelo mercado e bem menor que os 0,62% de maio. Somou-se a isso o Relatório de Política Monetária do BC, que elevou a projeção de PIB para 2,0% e manteve aberta a possibilidade de novos cortes na Selic.
qual foi o fechamento do dólar hoje, 25 de junho?
O dólar à vista encerrou a sessão com queda de 0,39%, cotado a R$ 5,1805. Durante o dia, chegou a R$ 5,2204 na máxima, mas recuou ao longo da tarde. No acumulado do ano, a moeda americana cai 5,62% frente ao real.
qual é a taxa selic atualmente?
Após o corte de 0,25 ponto percentual na reunião de junho, o Copom reduziu a Selic para 14,25% ao ano. O BC mantém aberta a possibilidade de novos cortes, mas condicionada à evolução dos dados de inflação.
o que é o ipca-15 e por que o mercado reage a ele?
O IPCA-15 é a prévia da inflação oficial brasileira, divulgada pelo IBGE cerca de duas semanas antes do IPCA fechado. Por chegar primeiro, serve como termômetro antecipado para o Banco Central e para os investidores calibrarem apostas sobre a política de juros.
o que aconteceu com as ações da braskem hoje?
A Braskem despencou mais de 10% no pregão após a empresa dar início a um processo de mediação com credores financeiros e ingressar com um pedido de tutela de urgência cautelar na Justiça — sinais de estresse financeiro que preocuparam os investidores.
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