Ibovespa sobe 0,91% e dólar recua a R$ 5,01
Bolsa brasileira fechou segunda-feira (25) em alta de 0,91%, aos 177.815 pontos. Dólar cedeu a R$ 5,019 com avanço das negociações EUA-Irã.

Ibovespa sobe 0,91% e dólar recua a R$ 5,01 com avanço das negociações no Oriente Médio
O mercado financeiro brasileiro encerrou a segunda-feira (25) no campo positivo, sustentado pelo otimismo externo. A bolsa subiu, o dólar cedeu e os juros futuros fecharam em queda — tudo ao mesmo tempo, num alinhamento que o mercado costuma reservar para sessões em que o cenário geopolítico dá algum respiro.
Bolsa: alta de 0,91% com bancos na liderança
O Ibovespa encerrou o pregão com alta de 0,91%, aos 177.815,72 pontos, um ganho de 1.606,11 pontos, construído com baixíssimo volume de negócios — o menor desde 19 de janeiro, também um feriado nos EUA.
O feriado do Memorial Day nos Estados Unidos drenou a liquidez global, mas não impediu a valorização. A estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, resumiu o cenário: "é a baixa liquidez global decorrente do feriado do Memorial Day nos EUA, que mantém as bolsas de Nova York fechadas", com o investidor local calibrando os negócios ao repercutir a deterioração das expectativas de inflação para 2026 trazidas pelo Boletim Focus logo cedo, "e corrige parte da queda do pregão anterior".
As altas vieram basicamente do setor financeiro, com os grandes bancos acelerando forte: BB (BBAS3) ganhou 3,39%, Bradesco (BBDC4) subiu 2,55%, Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 2,26% e Santander valorizou 1,99%. A B3 (B3SA3) também não ficou de fora e ganhou 3,60%, com o JPMorgan elevando preço-alvo após recompra e atualização de projeções.
Dólar: queda ao nível de R$ 5,01
O real conseguiu uma valorização, com o dólar comercial perdendo 0,19%, a R$ 5,019. Na mínima do dia, a moeda norte-americana voltou a ficar abaixo dos R$ 5, chegando a R$ 4,994.
A queda do dólar comercial refletiu o alívio global com o progresso das frentes diplomáticas no Oriente Médio, que desinflou os preços das commodities energéticas lá fora. "Esse recuo global do dólar ante divisas emergentes ajuda a abrir espaço para o fechamento dos DIs por aqui, mesmo em cenário de cautela fiscal doméstica", avaliou a estrategista da Nomad.
Com o resultado do pregão de segunda, o dólar acumula ganhos de 1,35% no mês e perdas de 8,57% no ano frente ao real.
O fator geopolítico: negociações EUA-Irã
O principal motor do pregão veio de fora. Quem marcou presença na bolsa paulista encontrou otimismo com o avanço das tratativas entre EUA e Irã para o fim da guerra. O presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tais avanços e o governo do Irã confirmou — embora ressalvando que ainda há muito pela frente —, mas os mercados globais estão cada vez mais cientes de que o fim da guerra realmente se aproxima.
No sábado anterior (23), o presidente americano havia declarado que o acordo com Teerã estava "nos detalhes finais". Segundo agências de notícias de Omã, representantes omanenses e iranianos se reuniram no domingo para discutir princípios de governança da navegação na região.
O Estreito de Ormuz é um canal marítimo estratégico localizado entre o Irã e os Emirados Árabes Unidos, considerado o "gargalo" mais importante do mundo para a energia por concentrar cerca de 20% a 30% do petróleo mundial e grande parte do gás natural liquefeito (GNL). O estreito é crucial para a economia global.
Contudo, o cenário mantém sombras. O secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que o acordo com o Irã pode "levar alguns dias" para ser fechado devido a divergências. A fala ocorre logo após as Forças Armadas norte-americanas fazerem novos ataques a embarcações do país persa no Estreito de Ormuz, no que eles chamaram de "ataques de autodefesa". "Vai levar alguns dias para resolvermos isso… até as divergências sobre uma palavra, uma frase", declarou Rubio durante viagem à Índia.
Especialistas alertam que a normalização total do fluxo de petróleo pelo estreito e a recuperação de estruturas danificadas podem levar meses.
Copom, inflação e o contexto doméstico
O alívio externo não apaga o desconforto interno. A mediana do mercado para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 5,04% no Boletim Focus mais recente, na 11ª alta consecutiva. O número supera o teto da meta de inflação, fixada em 3% com banda de 1,5 ponto percentual para cada lado.
Na ata da última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que seguirá com "cautela e serenidade" diante das incertezas provocadas pelo conflito no Oriente Médio e seus efeitos sobre os preços, especialmente por meio da alta do petróleo. O Copom já promoveu dois cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual em 2026, levando a Selic de 15% para 14,50% ao ano. Ainda assim, a autoridade monetária deixou claro que a magnitude e a duração do ciclo dependerão da evolução do cenário externo e dos impactos inflacionários.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu que a guerra no Oriente Médio tem afetado os preços dos combustíveis e a inflação no Brasil, mas disse que os impactos são menores do que os registrados em outros países. "Na comparação com o mundo, o Brasil é dos países que menos foi afetado pela guerra do Irã", comentou.
Os DIs (juros futuros) fecharam o dia com quedas por toda a curva, sinal de que o mercado precificou temporariamente um ambiente menos adverso — mas a vigilância sobre inflação e fiscal permanece como pano de fundo.
Análise: o que pode acontecer
O pregão desta segunda-feira ilustra com clareza a dupla dependência do mercado brasileiro neste momento: de um lado, a geopolítica do Oriente Médio como regulador do apetite por risco global; de outro, o termômetro doméstico da inflação, que segue acima do teto da meta e corrói o espaço do Copom para cortes mais agressivos na Selic.
O ponto crítico a observar é exatamente esse: o otimismo do pregão foi construído sobre liquidez baixíssima, o que amplifica movimentos e pode reverter com igual velocidade. Um acordo de paz real entre EUA e Irã abriria um ciclo de queda do petróleo, desinflação importada e espaço para o BC brasileiro acelerar o afrouxamento monetário — benefício concreto para a renda variável. O problema é que o caminho até lá ainda passa por minas: divergências sobre o urânio enriquecido, ataques militares ativos e retórica contraditória das partes.
Cenário base — negociações avançam, mas acordo demora semanas: O mercado deve oscilar em torno dos níveis atuais, entre 175 mil e 180 mil pontos no Ibovespa, com o dólar na faixa de R$ 5,00–5,10. A cada sinal positivo das negociações, novo alívio; a cada ruído, recuo. O Copom mantém o ciclo gradual de cortes de 0,25 ponto por reunião, sem sinalizar aceleração enquanto o IPCA esperado superar 5%.
Cenário otimista — acordo formal anunciado: Uma reabertura confirmada do Estreito de Ormuz derrubaria o petróleo e a inflação global. No Brasil, isso se traduziria em expectativas de IPCA mais comportadas, dólar abaixo de R$ 5 de forma sustentada e Ibovespa com potencial de retomar os 185–190 mil pontos — patamar que havia sido alcançado antes da deterioração de maio. O Copom teria mais conforto para cortes.
Cenário pessimista — ruptura das negociações: Retomada da escalada militar ou colapso do diálogo fariam o petróleo disparar de volta. Inflação global mais pressionada, dólar acima de R$ 5,20, DIs em alta e Ibovespa testando suportes abaixo de 170 mil pontos. O impacto sobre o bolso do brasileiro viria pelo combustível, frete e alimentos.
A leitura mais provável desta redação é o cenário base: o acordo existe como objetivo de ambos os lados, mas a complexidade técnica e política (urânio, soberania, Estreito) deve manter as negociações em ritmo lento por semanas. O curinga é uma ruptura abrupta — que hoje parece menos provável, mas não pode ser descartada enquanto os dois lados ainda se atacam militarmente durante as conversas.
Perguntas frequentes
O Ibovespa subiu quanto no pregão de 25 de maio de 2026?
O Ibovespa encerrou em alta de 0,91%, aos 177.815,72 pontos, com destaque para as ações dos grandes bancos e da própria B3.
Por que o dólar caiu para R$ 5,01 nessa sessão?
A queda refletiu o otimismo com o avanço das negociações entre EUA e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, o que desinflou os preços do petróleo e reduziu a demanda por ativos de proteção como o dólar.
Qual a projeção atual do mercado para o IPCA de 2026?
O Boletim Focus mais recente mostrou a mediana das projeções para o IPCA de 2026 em 5,04%, na 11ª alta consecutiva — acima do teto da meta de inflação do Banco Central.
O que é o Estreito de Ormuz e por que ele importa para o Brasil?
O Estreito de Ormuz concentra cerca de 20% a 30% do petróleo mundial transportado por mar. Quando a rota está comprometida, o preço do barril sobe globalmente, pressionando combustíveis e inflação no Brasil e em todo o mundo.
O Copom vai cortar mais a Selic em 2026?
O mercado projeta a Selic em 13,25% ao fim de 2026, ante os 14,50% atuais. O Copom já realizou dois cortes de 0,25 ponto percentual em 2026, mas sinalizou que o ritmo dependerá da evolução da inflação e do cenário externo — especialmente do conflito no Oriente Médio.
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