IPO de SpaceX, OpenAI e Anthropic: a maior onda da história
SpaceX, OpenAI e Anthropic somam quase US$ 200 bilhões em captação planejada para Wall Street em 2026. Entenda o que está em jogo — e o que isso significa para o Brasil.

IPO de SpaceX, OpenAI e Anthropic: a maior onda de Wall Street da história
Três das empresas mais valiosas do mundo ainda são privadas. Não por muito tempo. SpaceX, OpenAI e Anthropic estão em rota de colisão com os mercados públicos — e juntas podem drenar quase US$ 200 bilhões dos investidores em 2026. É um evento sem precedentes na história do capitalismo moderno, e o Brasil não vai ficar imune.
SpaceX: o maior IPO de todos os tempos — e já tem data
A SpaceX está acelerando planos para o que pode ser o maior IPO já registrado, mirando precificar o negócio já em 11 de junho e começar a negociar na Nasdaq em torno do dia 12, com captação prevista de cerca de US$ 75 bilhões a uma valuation de aproximadamente US$ 1,75 trilhão.
Para ter dimensão: esse tamanho dwarfaria o IPO da Saudi Aramco, de US$ 29 bilhões em 2019, tornando-se a maior estreia em bolsa da história.
O Wall Street Journal reportou, citando pessoas familiarizadas com o assunto, que a SpaceX planeja listar oficialmente na Nasdaq no dia 12 de junho sob o ticker "SPCX".
A empresa protocolou confidencialmente um rascunho do S-1 na SEC em 1º de abril de 2026, sob o codinome interno "Project Apex", e está mirando uma listagem em junho com captação de US$ 75 bilhões à valuation de US$ 1,75 trilhão, conforme o Reuters.
O motor financeiro real da empresa é o Starlink: o serviço de internet por satélite gera quase US$ 12 bilhões em receita com margens EBITDA acima de 60%, enquanto a divisão de IA xAI — incorporada à SpaceX em fevereiro de 2026 — consome cerca de US$ 1 bilhão por mês com receita mínima.
Outro dado incomum: a SpaceX pode alocar 30% de suas ações para investidores de varejo — pelo menos três vezes a alocação típica de Wall Street —, e ainda assim a demanda provavelmente vai superar a oferta.
OpenAI: valuation de quase US$ 1 trilhão, mas ainda no vermelho
A OpenAI confirmou, em março de 2026, o fechamento de uma rodada de US$ 122 bilhões a uma valuation pós-money de US$ 852 bilhões.
Goldman Sachs, JPMorgan e Morgan Stanley estão em discussões para assessorar a oferta, com um potencial registro regulatório no segundo semestre de 2026.
A receita cresceu de forma explosiva: a OpenAI cruzou US$ 25 bilhões em receita anualizada e prepara seu IPO para o fim de 2026. O marco foi reportado pelo The Information em março, citando pessoa familiarizada com os números.
Mas as finanças têm um lado sombrio. A empresa gerou US$ 13,1 bilhões em receita em 2025 e gastou aproximadamente US$ 22 bilhões para isso. A queima de caixa anual deve atingir US$ 57 bilhões em 2027, e a empresa não espera atingir o ponto de equilíbrio antes de 2030.
O Wall Street Journal reportou em janeiro de 2026 que a empresa está construindo as bases para uma listagem pública no quarto trimestre de 2026. A OpenAI mantinha conversas informais com bancos de Wall Street e contratou executivos financeiros para supervisionar relações com investidores.
Há, porém, incertezas estruturais relevantes. A conversão da OpenAI para uma Public Benefit Corporation em abril de 2026 removeu a barreira estrutural que impedia a empresa de abrir capital. Mesmo assim, a empresa ainda está em disputa judicial com Elon Musk, e a CFO Sarah Friar sinalizou que a OpenAI ainda não está pronta para ser uma empresa pública, segundo o The Information.
Anthropic: a azarona que virou favorita
Junto com a irmã Daniela e outros cinco pesquisadores seniores da OpenAI, Dario Amodei incorporou a Anthropic em 2021. Cinco anos depois, a empresa está em negociações para captar US$ 30 bilhões a uma valuation de US$ 950 bilhões e planeja abrir capital na bolsa americana ainda este ano.
A Anthropic contratou o escritório de advocacia Wilson Sonsini para preparação do IPO e manteve conversas preliminares com bancos de investimento. Fontes citadas pelo The Information e pelo TradingKey indicam uma abertura de capital possível já em outubro de 2026, com captação esperada superior a US$ 60 bilhões.
A empresa surpreendeu até os otimistas com o crescimento de receita: em 7 de abril de 2026, a Anthropic anunciou que sua receita anualizada superou US$ 30 bilhões, mais do que triplicando frente aos US$ 9 bilhões do fim de 2025, ultrapassando a OpenAI em escala de receita pela primeira vez.
No mercado corporativo, o avanço é notável: segundo a fintech Ramp, baseada em dados de clientes, 34,4% das empresas pagam pelos serviços da Anthropic — mais do que por qualquer outro laboratório de IA —, enquanto apenas 32,3% pagam pela OpenAI.
O terceiro ganhador: a Nvidia
Há um beneficiário quase certo nessa corrida, independentemente de quem abrir capital primeiro. A Nvidia. As duas candidatas ao IPO dependem dos chips da empresa para treinar e servir seus modelos. O Stargate, flagship de infraestrutura da OpenAI em Abilene, Texas, já opera com racks Nvidia GB200.
Cada dólar captado no IPO da OpenAI ou da Anthropic é, em alguma medida, um dólar que eventualmente chega ao balanço de Jensen Huang.
O impacto no Brasil e nos mercados globais
Três megacaptações simultâneas não passam despercebidas pelos mercados emergentes. O MSCI, cujos índices são rastreados por investidores institucionais do mundo todo, alertou em fevereiro que os megaIPOs esperados para 2026 poderiam liberar bilhões de dólares em fluxos de investimento passivo, acionar realocações setoriais nos índices de referência e drenar liquidez de mercados fora das empresas recém-listadas.
Para o Brasil, o risco é duplo. Do lado negativo, uma migração de capital global para absorver esses IPOs pode pressionar saídas de emergentes — incluindo a B3 — em busca de liquidez para participar das ofertas. Do lado positivo, o avanço da IA que essas empresas representam é irreversível e impacta diretamente setores como agronegócio de precisão, fintechs e serviços públicos digitais nos quais o Brasil já está investindo.
Especialistas avaliam que o ano é sobre "empresas em estágio inicial apostando em grandes mercados". Os procedimentos de IPO nos EUA já somam US$ 28,4 bilhões em captações no acumulado do ano, segundo a Renaissance Capital. O número deve explodir se SpaceX, OpenAI e Anthropic seguirem o calendário.
Análise: o que pode acontecer
A corrida dos três IPOs revela algo mais profundo do que apetite especulativo: é a prova de que a fase "pré-receita" da IA já acabou. As empresas cresceram rápido, têm clientes corporativos reais e começaram a disputar o mesmo dinheiro. O problema é que a maioria delas ainda queima capital em escala industrial — e precisa do mercado público justamente para financiar esse buraco. Isso cria uma assimetria perigosa: o investidor de varejo entra num momento em que os insiders já embolsaram bilhões em rodadas privadas.
Cenário base — SpaceX abre em junho, OpenAI e Anthropic no quarto trimestre: A SpaceX tem o cronograma mais concreto (S-1 arquivado, data de precificação reportada). É o cenário mais provável para os próximos 60 dias. A listagem da SpaceX funciona como "teste de temperatura" para os dois IPOs de IA que vêm na sequência. Se o mercado absorver bem US$ 75 bilhões em ações de uma empresa pré-lucrativa a múltiplos altíssimos, a janela para OpenAI e Anthropic se abre. Se o papel cair 30% na primeira semana — como aconteceu com Coinbase e Rivian —, os dois IPOs de IA provavelmente escorregam para 2027.
Cenário otimista — os três estreiam em 2026 e absorvem bem: Nesse caso, os fluxos passivos de fundos de índice (principalmente após inclusão no Nasdaq 100, que ganhou regra de fast-track para megacaps) sustentam as cotações no curto prazo. A B3 pode sofrer saída pontual de capital estrangeiro, mas o otimismo com IA pode beneficiar empresas brasileiras do setor. O dólar tende a se fortalecer contra o real nesse ambiente de apetite concentrado.
Cenário de risco — estouro da bolha de múltiplos: Os múltiplos pedidos são historicamente difíceis de sustentar. Uma valuation de US$ 2 trilhões para a SpaceX implicaria um P/S (preço sobre receita) acima de 80x, significativamente superior ao P/S de aproximadamente 6x do IPO da Saudi Aramco. Se o mercado rejeitar esses preços, o efeito contágio pode afetar o setor de tecnologia global — e o Brasil sentirá via câmbio, bolsa e apetite ao risco.
A leitura mais provável desta redação: o IPO da SpaceX acontece em junho como planejado, com demanda institucional suficiente para precificar na faixa de US$ 1,75 trilhão. OpenAI e Anthropic esticam para o quarto trimestre, com pelo menos uma delas listando ainda em 2026. O curinga é a batalha judicial entre OpenAI e Musk — uma decisão adversa pode atrasar o processo e forçar reestruturação societária de última hora.
Perguntas frequentes (FAQ)
Quando a SpaceX vai abrir capital?
Segundo o Reuters, a SpaceX está mirando a precificação para 11 de junho de 2026 e planeja começar a negociar na Nasdaq no dia 12, sob o ticker SPCX. A data ainda não foi confirmada oficialmente pela empresa.
A OpenAI tem data definida para o IPO?
A OpenAI ainda não é uma ação pública. Não há ticker, nenhum S-1 público e nenhuma data oficial de IPO. O Wall Street Journal reportou, em janeiro de 2026, que a empresa está construindo as bases para uma listagem no quarto trimestre de 2026.
Como o investidor brasileiro pode se expor a esses IPOs?
O acesso direto a ações no momento da oferta inicial costuma ser restrito a investidores institucionais ou qualificados com conta em corretora americana. Para o investidor de varejo brasileiro, as alternativas mais acessíveis são BDRs (caso as empresas habilitem emissão no Brasil após a listagem), ETFs de tecnologia negociados na B3 ou no exterior que venham a incluir os papéis, e ações de empresas com participação indireta — como Amazon e Alphabet, que possuem grandes stakes na Anthropic, negociáveis via BDRs já disponíveis na B3.
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