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Lula Vai Reindicar Messias ao STF: O Que Isso Significa?

Lula sinalizou a aliados que pretende reenviar ao Senado o nome de Jorge Messias para o STF — mesmo após a rejeição histórica de 42 a 34. Entenda o que está em jogo.

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Daniel Krust
··7 min de leitura
Presidente Lula discursando no Palácio do Planalto em coletiva de imprensa sobre a indicação de Jorge Messias ao STF

Messias no STF: Lula quer reindicar AGU após derrota histórica

O presidente Lula decidiu não recuar. Menos de três semanas depois de uma derrota sem precedentes no Senado, o Palácio do Planalto já sinaliza que pretende voltar à carga com o mesmo nome. A questão é se o tabuleiro político mudou o suficiente para um resultado diferente — e as apostas estão longe de ser seguras.


A rejeição que entrou para a história

Em 20 de novembro de 2025, Lula indicou Jorge Messias para a vaga no STF deixada pela aposentadoria de Luís Roberto Barroso. A sabatina no Senado aconteceu em 29 de abril de 2026 e terminou com a rejeição por 34 votos a favor e 42 contra — a primeira vez desde 1894 que o Senado barrou uma indicação presidencial ao Supremo.

O placar surpreendeu até quem era pessimista dentro do governo. Ao longo de toda a preparação para a sabatina, a avaliação dos articuladores do governo era de que Messias tinha votos suficientes para ser aprovado — nos cenários mais conservadores, contavam com cerca de 45 favoráveis. A leitura só começou a mudar no fim da sabatina, quando aliados passaram a trabalhar com aprovação no limite, em torno de 41 votos. O resultado final de 34 a 42 evidenciou o tamanho da derrota.

A indicação havia sido aprovada antes pela CCJ, mas foi rejeitada no plenário após meses de articulação dos governistas. O papel do presidente do Senado no resultado é controvertido. A Agência Pública apurou que o resultado não surpreendeu Davi Alcolumbre, que teria articulado ativamente contra Messias e inclusive confirmado isso a outro parlamentar. Por outro lado, nos bastidores, aliados do governo apontam que Alcolumbre teve influência no resultado, embora o senador negue ter articulado contra a indicação de Jorge Messias.

A raiz do conflito é mais antiga. Alcolumbre estava insatisfeito com a sugestão de Lula ao STF desde o anúncio em novembro de 2025. O presidente do Congresso atuava pela indicação de Rodrigo Pacheco e se sentiu traído por Lula ao ser contrariado.


Lula insiste: a leitura do Planalto

Diante da derrota, o presidente não sinalizou arrependimento — pelo contrário. Segundo interlocutores próximos, Lula considera que a escolha de ministros do STF é uma atribuição constitucional do chefe do Executivo e pretende reforçar esse entendimento político ao insistir no nome de Messias.

Reservadamente, Lula também tem afirmado que a derrota no Senado não foi direcionada pessoalmente ao advogado-geral da União, mas ao próprio governo federal. Para o presidente, a batalha perdida no Senado foi um recado político, não uma avaliação técnica sobre o indicado.

Dois episódios reforçaram essa convicção. A avaliação de Lula sobre Messias ganhou força depois da repercussão da posse do ministro Kassio Nunes Marques no comando do TSE: durante a cerimônia, o advogado-geral recebeu aplausos e manifestações públicas de apoio interpretadas por integrantes do governo como um gesto de desagravo após a derrota no Senado. Ao mesmo tempo, o episódio também expôs o distanciamento entre Lula e Alcolumbre: integrantes presentes na cerimônia relataram que o presidente do Senado ignorou as homenagens dirigidas a Messias e manteve pouca interação com o presidente da República ao longo do evento.

A expectativa, de acordo com aliados, é que a nova indicação seja encaminhada antes das eleições de outubro.


O que Messias pensa sobre tudo isso

O advogado-geral da União não saiu ileso do processo. Após a rejeição no Senado, Messias ficou recluso e manifestou a intenção de deixar o governo. Lula, porém, aconselhou o auxiliar a não tomar decisões precipitadas. O ministro entrou de férias no dia 13 de maio e tem retorno previsto para o dia 25.

Apesar da intenção de Lula, Messias vê a possibilidade com receio. Ele teria deixado claro ao presidente que só aceitaria passar novamente pelo crivo do Senado caso tivesse certeza de que, desta vez, o resultado seria diferente.

A matemática é simples e complicada ao mesmo tempo: são necessários pelo menos 42 votos favoráveis no Senado para uma indicação passar — oito a mais do que o governo conseguiu na primeira tentativa.

Há também o problema institucional no dia a dia. Nos bastidores da AGU, integrantes da equipe avaliam que a permanência de Messias no cargo pode gerar desconforto nas relações institucionais com o STF, diante da resistência demonstrada por parte de integrantes da Corte à sua indicação.


O que a Constituição diz — e o que Alcolumbre pode fazer

Do ponto de vista jurídico, o caminho está aberto. Mesmo com a rejeição do Senado, o presidente da República mantém a prerrogativa de enviar uma nova indicação para análise dos senadores. Não há prazo legal para que isso ocorra, tampouco vedação prévia de que o mesmo nome seja encaminhado. Cabe ao presidente escolher ou apresentar candidato novo, além de decidir o melhor momento — antes ou após as eleições gerais de outubro.

O obstáculo, porém, é político, não jurídico. Alcolumbre tem dito que não vai pautar sabatina de nenhum indicado de Lula até a definição de quem será o próximo presidente da Casa.

Há também uma variável eleitoral no cálculo: as eleições deste ano renovam dois terços do Senado, com duas cadeiras em disputa por estado. Entre lideranças, cresce a percepção de que o próximo Senado pode ter um perfil ainda mais alinhado à direita. Isso explica parte da resistência: impedir que Lula preencha a vaga no STF agora significaria, na prática, transferir essa decisão ao eventual sucessor.

Enquanto isso, o STF opera com apenas dez integrantes, o que aumenta a possibilidade de empates em algumas decisões e pode gerar impasses.


Quem é Jorge Messias

Jorge Messias é procurador de carreira e atual advogado-geral da União, cargo para o qual foi nomeado pelo presidente Lula. Tem graduação em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco e mestrado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília.

Na AGU, construiu um histórico de atuação em temas sensíveis. Criou a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia e a Procuradoria Nacional da União de Defesa do Meio Ambiente e do Clima, e foi responsável por fechar acordo com as mineradoras Samarco, Vale e BHP para ressarcimento das vítimas do rompimento da barragem do Fundão, em Mariana (MG).


Análise: o que pode acontecer

A insistência de Lula no nome de Messias é, acima de tudo, uma decisão política de não ceder diante de uma derrota que o Planalto interpreta como usurpação de uma prerrogativa constitucional. Isso é compreensível como sinalização de força — mas traz riscos reais. Reindicar Messias sem garantias concretas de votos é apostar numa mudança de cenário que, até o momento, não se materializou em promessas sólidas de senadores que antes votaram contra.

O nó é que o obstáculo central não é técnico, e sim Davi Alcolumbre. Enquanto o presidente do Senado não sinalizar cooperação — ou enquanto sua posição política não enfraquecer o suficiente para que outros senadores se desprendam de sua influência —, o placar de 34 a 42 tende a se repetir. A pergunta real não é "Lula quer reindicar?" (ele claramente quer), mas "quantos votos ele tem agora que não tinha antes?"

Cenário mais provável — Reindicação antes de outubro, com desfecho incerto: O Planalto reenvia o nome de Messias ainda no segundo semestre, apostando que o desgaste de Alcolumbre com o caso Master e a proximidade das eleições amacie resistências. A estratégia pode funcionar na margem, mas o governo precisaria converter ao menos oito votos contrários — uma tarefa que a própria derrota mostrou ser mais difícil do que os articuladores estimavam. A aprovação seria possível, porém não garantida.

Cenário alternativo — Nome novo após as eleições: Lula decide não arriscar uma segunda derrota histórica antes do pleito e aguarda a nova composição do Senado para avaliar se o ambiente é mais favorável. Neste caso, a vaga pode ficar em aberto por meses, aprofundando o déficit operacional do STF e transferindo a decisão para 2027. O custo político de uma nova rejeição pode pesar mais do que a demora.

Cenário de risco — Segunda rejeição: Se o governo errar a leitura dos votos novamente e Messias for rejeitado pela segunda vez, o impacto seria devastador para a autoridade do Executivo no Congresso, justamente às vésperas de outubro. Isso representaria o pior dos mundos: desgaste do presidente, da figura de Messias e da prerrogativa constitucional que Lula quer defender.

A aposta analítica da redação: O cenário mais provável é que Lula tente a reindicação antes das eleições — mas só depois de ter contagem de votos mais sólida do que a que levou ao placar de 34 a 42. O curinga é Alcolumbre: se o presidente do Senado permanecer irredutível ou se recusar a pautar a sabatina, a estratégia do Planalto naufraga antes mesmo de chegar ao plenário.


Perguntas frequentes (FAQ)

Lula pode indicar Messias novamente ao STF após a rejeição?

Sim. A Constituição não impede que o presidente envie o mesmo nome ao Senado. Não há prazo nem vedação expressa para isso. A decisão sobre o momento e o nome indicado é prerrogativa exclusiva do chefe do Executivo.

Quantos votos são necessários para aprovar um indicado ao STF?

São necessários ao menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores, em votação secreta no plenário. Na primeira sabatina de Messias, ele obteve apenas 34 votos a favor — sete abaixo do mínimo exigido.

Por que o Senado rejeitou Jorge Messias?

O placar de 42 a 34 foi resultado de uma articulação nos bastidores, com papel central atribuído ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Alcolumbre defendia o nome de Rodrigo Pacheco para a vaga e, segundo relatos, atuou para formar maioria contrária à indicação de Lula.

Tags:#STF#Jorge Messias#Lula#Senado#AGU#Alcolumbre#indicação STF#política

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