PIB de Mato Grosso: R$ 273 bi e 10ª maior economia do Brasil
Com PIB de R$ 273 bilhões em 2023, Mato Grosso subiu da 13ª para a 10ª posição no ranking dos estados. Entenda os motores do crescimento e o que pode vir a seguir.

PIB de Mato Grosso atinge R$ 273 bilhões e estado sobe para a 10ª maior economia do Brasil
Mato Grosso virou uma das histórias econômicas mais expressivas do Brasil recente. Em pouco mais de quatro anos, o estado quase dobrou o tamanho de sua economia — e agora ocupa uma posição no ranking nacional que, há não muito tempo, parecia distante para um estado do Centro-Oeste.
Os dados são do IBGE e não deixam margem para interpretação: o PIB de Mato Grosso atingiu a marca de R$ 273 bilhões em 2023, consolidando um crescimento que quase dobrou o tamanho da economia estadual em apenas quatro anos. Com o avanço bilionário, Mato Grosso subiu da 13ª para a 10ª posição no ranking das maiores economias do país.
O ponto de partida: de R$ 142 bilhões a R$ 273 bilhões
Para entender a dimensão do salto, é preciso olhar para trás. O valor gerado pela economia estadual passou de R$ 142,12 bilhões em 2019 para R$ 273 bilhões em 2023, último dado consolidado disponível.
São quatro anos de crescimento acumulado que reposicionaram o estado no mapa econômico nacional. A fatia de participação do estado no PIB nacional também engordou consideravelmente, passando de 1,9% para 2,5% no período analisado.
Esse tipo de crescimento não é trivial. Dobrar de tamanho em quatro anos exige uma combinação de fatores favoráveis: preços de commodities, produtividade agrícola, atração de capital e um ambiente regulatório que não espante investidores. Mato Grosso teve — em maior ou menor grau — todos esses ingredientes.
Ritmo quatro vezes superior ao do país
O número que mais chama atenção não é o PIB total, mas a velocidade com que esse crescimento aconteceu. O balanço do IBGE revelou um ritmo de aceleração descolado do resto do país. Em 2023, a economia mato-grossense registrou um forte crescimento real de 12,9%, índice quase quatro vezes superior ao desempenho nacional no mesmo ano, quando o PIB do Brasil avançou apenas 3,2%.
Para efeito de comparação, o destaque nacional em crescimento foi o Acre, com 14,7%, seguido por Mato Grosso do Sul (13,4%) e Mato Grosso (12,9%), líder na produção de grãos. Ou seja, a liderança ficou com estados cujas economias têm forte base agropecuária — uma tendência que merece leitura crítica, como veremos adiante.
A estrutura por trás dos números
O crescimento de Mato Grosso não tem um único motor. A estrutura produtiva estadual permanece diversificada, com serviços respondendo por 52% do PIB, agropecuária por 34% e indústria por 15%, setor que somou R$ 36 bilhões no período.
A agropecuária é o carro-chefe, mas o estado vem trabalhando para ampliar o valor agregado da cadeia. O avanço econômico mato-grossense também está ligado ao fortalecimento da industrialização. O estado vem ampliando sua capacidade de transformar matérias-primas em produtos de maior valor agregado, reduzindo a dependência da exportação de commodities in natura.
Um exemplo concreto é o gergelim. Da safra 2018/2019 para a safra 2025/2026, a produção da cultura cresceu 465%, enquanto a área plantada aumentou 588%. Atualmente, o estado responde por 73% da produção nacional. As exportações cresceram aproximadamente 600% entre 2020 e 2025, com destaque para a demanda de países como China e Índia.
No setor energético, em 2025, Mato Grosso foi novamente o maior produtor de biodiesel do país, com 1,83 bilhão de litros, crescimento de 12,5% em relação ao ano anterior, e o segundo maior produtor de etanol (cana e milho), com 5,89 bilhões de litros.
Incentivos fiscais: renúncia calculada ou aposta arriscada?
Um componente central da estratégia mato-grossense é a política de incentivos fiscais. Os números são expressivos — e geram debate legítimo. Em 2025, para cada R$ 1 de renúncia fiscal concedida pelo estado, foram gerados R$ 4,66 em investimentos privados. Segundo o Relatório Anual de Desempenho dos Programas de Incentivos Fiscais da Sedec, o estado renunciou R$ 6,4 bilhões em arrecadação, enquanto os investimentos privados alcançaram R$ 29,8 bilhões.
O resultado foi impulsionado principalmente pelo Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial de Mato Grosso (Prodeic), pelo Programa de Desenvolvimento Rural (Proder) e pelo Programa de Incentivo ao Algodão (Proalmat).
A relação de 1:4,66 parece favorável, mas é preciso contextualizar: renúncia fiscal é receita que o estado abre mão hoje na aposta de que os investimentos privados gerarão mais renda, empregos e tributos no futuro. Esse modelo funciona quando a atração de investimentos é real e duradoura — e fracassa quando gera dependência crônica de subsídios ou quando os empregos criados são de baixa qualidade.
PIB per capita e mercado de trabalho: o lado positivo que precisa de ressalvas
O crescimento não ficou restrito aos grandes números. Além do aumento do volume de riquezas produzidas, o desempenho estadual também se reflete na renda da população. O PIB per capita de Mato Grosso avançou da 7ª para a 3ª posição nacional, indicando que o crescimento econômico tem sido acompanhado pelo aumento da geração de renda.
No mercado de trabalho, os dados do IBGE são igualmente positivos. As menores taxas anuais de desocupação em 2025 ficaram com Mato Grosso (2,2%), Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3,0%). Mato Grosso (66,7%), Santa Catarina (66,2%) e Mato Grosso do Sul (64,4%) lideraram o indicador de nível de ocupação — a proporção de pessoas ocupadas na população.
O gargalo a observar é a qualidade desse emprego: boa parte da atividade econômica mato-grossense está em cadeias sazonais do agronegócio, o que pode gerar volatilidade no mercado de trabalho em anos de quebra de safra ou queda de preços internacionais de commodities.
Análise: o que pode acontecer
O resultado de Mato Grosso é genuinamente expressivo — e merece crédito analítico sem reservas partidárias. Crescer quase quatro vezes acima da média nacional, elevar o PIB per capita para o 3º lugar e registrar o menor desemprego do país em 2025 não é obra do acaso. É a combinação de vantagens competitivas reais (terra agricultável, localização logística estratégica, commodities em ciclo de alta) com política de Estado consistente em infraestrutura e atração de investimentos.
O problema é que esse mesmo modelo tem vulnerabilidades estruturais que os números agregados não mostram. A concentração de 34% do PIB em agropecuária expõe o estado a dois riscos simultâneos: volatilidade climática (La Niña, secas, geadas) e ciclos de preço das commodities globais. Quando esses dois fatores giram contra, o impacto sobre o PIB estadual pode ser rápido e intenso.
Cenário base — consolidação gradual: Se os preços internacionais de soja, milho, algodão e carne bovina se mantiverem em patamar razoável e a safra 2025/2026 confirmar bom desempenho, Mato Grosso tende a sustentar crescimento acima da média nacional em 2024 e 2025 (dados que o IBGE ainda vai consolidar). A diversificação em curso — biodiesel, etanol de milho, gergelim, industrialização de carnes — reduz parcialmente a dependência de um único produto. Este é o cenário mais provável no curto prazo.
Cenário de risco — choque externo: Uma desaceleração da China (principal destino das exportações agrícolas brasileiras) ou uma queda abrupta no preço da soja em Chicago pode comprimir margens rapidamente. Nesse cenário, a renúncia fiscal acumulada vira um passivo pesado: o estado teria menos receita exatamente no momento em que precisaria de mais espaço fiscal para responder ao choque. A história recente de estados exportadores de commodities — como o próprio Pará no ciclo do ferro — mostra como esse tipo de reversão pode ser veloz.
Cenário de salto qualitativo: Se Mato Grosso avançar com consistência na industrialização e agregar mais valor antes de exportar (processamento de proteínas, biocombustíveis avançados, insumos agrícolas), o estado pode reduzir a volatilidade e elevar a renda média de forma mais sustentável. Para isso, precisará ir além dos incentivos fiscais e investir em educação técnica e profissional — o gargalo mais frequentemente apontado por economistas regionais para a sustentação de longo prazo.
A leitura mais provável é de crescimento sustentado acima da média nacional nos próximos dois a três anos, ancorado no agronegócio diversificado. O curinga é o ambiente externo: uma recessão global ou uma deterioração nos termos de troca das commodities pode expor as fragilidades de um modelo ainda muito concentrado na produção primária.
Perguntas frequentes
Qual é o PIB de Mato Grosso em 2023?
O PIB de Mato Grosso foi de R$ 273 bilhões em 2023, segundo dados divulgados pelo IBGE. Este é o último dado consolidado disponível.
Quanto Mato Grosso cresceu em comparação ao Brasil?
Em 2023, o PIB de Mato Grosso cresceu 12,9% em termos reais, contra 3,2% do Brasil no mesmo período — um ritmo quase quatro vezes superior ao nacional.
Qual é a posição de Mato Grosso no ranking de PIB per capita dos estados?
O PIB per capita de Mato Grosso avançou da 7ª para a 3ª posição nacional, de acordo com os dados das Contas Regionais do IBGE.
Qual é a taxa de desemprego em Mato Grosso?
Em 2025, Mato Grosso registrou a menor taxa anual de desocupação do Brasil, de 2,2%, segundo a PNAD Contínua do IBGE.
O que explica o crescimento econômico de Mato Grosso?
A expansão resulta da combinação entre produção agropecuária (soja, milho, algodão, carne bovina), diversificação em biocombustíveis e novos cultivos, políticas de incentivo fiscal e investimentos em infraestrutura logística e energética.
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