Política & Mercado

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PIB Regional 2026: agronegócio sustenta Norte e Centro-Oeste

Relatório do Santander projeta desaceleração do PIB em todas as regiões em 2026, mas Norte e Centro-Oeste lideram o crescimento puxados pelo agronegócio e pela mineração.

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Daniel Krust
··8 min de leitura
Lavoura de soja no Mato Grosso ao entardecer, simbolizando o agronegócio que puxa o PIB regional do Centro-Oeste em 2026

PIB regional 2026: agronegócio sustenta Norte e Centro-Oeste enquanto economia desacelera

O Brasil cresce, mas em marcha mais lenta. As projeções para o PIB regional em 2026 mostram um país que não perdeu o fôlego, mas que claramente não vai repetir o sprint de 2025 — e as razões para isso estão, em grande parte, no próprio êxito da agropecuária no ano anterior.

O diagnóstico: desaceleração generalizada, mas sem ruptura

O relatório Brasil – Cenário Regional | Junho de 2026, elaborado pela equipe de Macroeconomia do Santander, projeta desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) nas cinco regiões do país, mas mantém perspectivas positivas para a atividade econômica.

A lógica é direta: o desempenho excepcional da agropecuária em 2025 — impulsionado por uma safra recorde de grãos — elevou o crescimento econômico principalmente no Centro-Oeste, Sul e Nordeste. Em 2026, a economia deve perder parte desse impulso devido à elevada base de comparação, embora a produção agrícola permaneça em patamares historicamente elevados.

Isso não é surpresa. O PIB da agropecuária cresceu 11,7% em 2025, segundo o IBGE, e analistas avaliaram que seria difícil repetir esse ritmo em 2026. Para economistas da CNA, o crescimento próximo de 12% foi um ponto fora da curva, pois a base de comparação era mais fraca — em 2024, houve quebra de safra em algumas regiões.

O que muda em 2026? A expectativa é de "desaceleração acentuada da agropecuária, compensada por maior ritmo de crescimento da indústria e dos serviços", segundo a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. A menor produção esperada de milho e arroz, bem como o menor abate de bovinos, devem limitar a expansão do setor agropecuário, apesar da perspectiva de nova colheita recorde de soja.

As projeções nacionais: quem diz o quê

Os números variam conforme a fonte, e é importante apresentar cada projeção com sua origem:

  • Banco Central (junho de 2026): elevou de 1,6% para 2% a projeção de crescimento da economia em 2026, destacando a surpresa positiva no resultado do PIB do primeiro trimestre e a melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa.
  • Ministério da Fazenda: o PIB brasileiro cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao trimestre anterior; na comparação com o mesmo período de 2025, a economia avançou 1,8%, em linha com as projeções da Secretaria de Política Econômica. A SPE estima crescimento de 2,3% para o ano inteiro.
  • ONU: espera que a economia brasileira cresça 2% em 2026, o que representaria desaceleração em relação a 2025, quando o Brasil avançou 2,5%.
  • CNI: estima crescimento de 1,8% em 2026, após expansão real de 2,5% no ano passado, citando "alto nível dos juros" e "enfraquecimento do mercado de trabalho".

O intervalo entre 1,8% e 2,3% reflete genuína incerteza — não contradição. O Banco Central aponta como condicionantes: política monetária em campo restritivo, baixo nível de ociosidade dos fatores de produção, perspectiva de desaceleração da economia global e ausência do impulso agropecuário observado em 2025.

Norte e Centro-Oeste: os destaques regionais

Dentro desse quadro de moderação, algumas regiões se destacam positivamente.

O crescimento deve ficar mais espalhado entre as regiões em 2026, sem o mesmo impulso excepcional da agropecuária observado em 2025. Norte, Centro-Oeste e Sudeste aparecem com as maiores taxas esperadas para o ano.

No Norte, os números são os mais animadores de todo o país. Tocantins lidera a projeção de crescimento em 2026, com alta estimada de 3,85%, seguido por Roraima, com 3,62%, Amazonas, com 3,04%, e Amapá, com 2,96%. Acre (2,82%), Pará (2,76%) e Rondônia (2,70%) também figuram entre os destaques nacionais.

O que explica esse desempenho? No Norte, os principais fatores de crescimento são o turismo e a mineração. Estima-se que a região vá crescer 2,3%, um dos maiores crescimentos nacionais, após uma alta de mais de 4% em 2025. A expectativa é que a retomada das operações da Vale em projetos de extração mineradora impacte o PIB regional, baseadas principalmente no minério de ferro, na bauxita e no manganês.

No Centro-Oeste, o agronegócio continua sendo o motor principal. A região deverá continuar apresentando um dos melhores desempenhos econômicos do Brasil. Estados como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul seguem beneficiados pela elevada produção de soja, milho e outras commodities agrícolas, enquanto Goiás mantém crescimento consistente apoiado tanto no agronegócio quanto na expansão do varejo e dos serviços.

Os dados de 2025 ilustram bem esse dinamismo: o Índice de Atividade Econômica Regional (IBCR) do Centro-Oeste avançou 5,0% em 2025, ante 2,7% em 2024. A safra de 2025 foi decisiva: o Centro-Oeste foi a única região a acelerar o crescimento; todas as cinco cresceram, mas as demais expandiram em ritmo menor que em 2024.

Para 2026, a previsão é de que o crescimento do Centro-Oeste fique próximo de 1,9%. Segundo a Conab, a safra de soja pode crescer 3,8%, alcançando quase 178 milhões de toneladas no ano.

O peso do agronegócio na economia brasileira

Para entender o que está em jogo, vale olhar os números do setor. O PIB do agronegócio brasileiro apresentou crescimento de 12,20% em 2025, segundo o Cepea/CNA. O setor alcançou R$ 3,20 trilhões — aproximadamente R$ 2,06 trilhões no ramo agrícola e R$ 1,14 trilhão no pecuário. Com esse resultado, a participação do agronegócio na economia brasileira foi de 25,13% em 2025, acima dos 22,9% registrados em 2024.

Segundo a CNA, sem o crescimento da agropecuária, o PIB brasileiro não teria avançado 2,3% em 2025, mas apenas 1,5%. O setor não é apenas um pilar — em 2025, foi o pilar.

Para 2026, a CNA projeta crescimento mais modesto. A estimativa da CNA é de que o PIB do agro cresça 1,2% em 2026. Outro pesquisador projeta ainda menos: o PIB do agro deve crescer 1,0% em 2026, reforçando a expectativa de desaceleração após o forte avanço registrado em 2025.

Vale destacar um risco concreto no horizonte: a inadimplência do crédito rural subiu nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul, pressionada por juros elevados e mudanças nas regras contábeis. Para 2026, o cenário mistura expectativa de safra recorde de soja com necessidade redobrada de planejamento financeiro na porteira.

O Sudeste na média, o Sul em recuperação

O Sudeste deverá continuar acompanhando o desempenho médio da economia brasileira. Por concentrar a maior parte do setor de serviços do país, a região apresenta menor dependência das oscilações da agropecuária em comparação ao Centro-Oeste e ao Sul. Minas Gerais permanece como um dos destaques nacionais dentro do agronegócio, enquanto Espírito Santo e Rio de Janeiro seguem impulsionados pela indústria extrativa.

O Sul, por sua vez, está em processo de recuperação: parte do crescimento da região decorre da retomada após as enchentes no Rio Grande do Sul em 2024, enquanto a possível reversão do ciclo favorável da pecuária e o risco climático associado ao El Niño podem afetar regiões produtoras em 2027.

Análise: o que pode acontecer

A desaceleração do PIB regional em 2026 é esperada, matematicamente explicável e, em si, não é sinal de crise. O problema seria confundir moderação com estagnação. O Brasil cresce em todas as regiões — o que está em debate é o ritmo e a sustentação desse crescimento daqui para frente.

O ponto que merece atenção crítica é o seguinte: a economia brasileira tornou-se estruturalmente dependente das supersafras para bater metas de crescimento. Quando o agro tira o pé do acelerador, como em 2026, a indústria e os serviços precisam compensar — e aí está o gargalo real. Juros elevados travam o investimento privado, encarecem o crédito rural e pressionam a inadimplência justamente nas regiões que mais cresceram.

Cenário base (mais provável): a desaceleração prevista para 2026 não representa perda estrutural de competitividade, mas sim um ajuste esperado após dois anos consecutivos de safras recordes. O crescimento nacional fica entre 2% e 2,3%, Norte e Centro-Oeste continuam acima da média, e o Banco Central começa a abrir espaço para afrouxamento da Selic. A economia aterra sem turbulência.

Cenário de risco climático: o relatório do Santander aponta o El Niño como risco relevante a ser monitorado, com potencial de impactar safras no Sul e Nordeste em 2027. Se o milho safrinha do Centro-Oeste decepcionar no segundo semestre de 2026, a projeção de 2,3% do Ministério da Fazenda fica comprometida, e o Banco Central perde margem para afrouxar mais rapidamente.

Cenário de recuperação acelerada: a melhora nas perspectivas para a agropecuária e a indústria extrativa pode surpreender positivamente, especialmente no Norte, onde projetos mineradores da Vale ainda têm espaço para surpresas positivas. Se a demanda chinesa por commodities se mantiver firme, o Norte pode bater projeções.

A leitura mais provável da redação: o Brasil de 2026 cresce, mas abaixo do potencial — e o risco maior não está no campo, e sim nos juros ainda altos que comprimem a cadeia de crédito das cadeias produtivas regionais, incluindo o próprio agronegócio. O curinga é o clima sobre o milho safrinha no segundo semestre.


Perguntas frequentes

Qual a projeção oficial de crescimento do PIB do Brasil em 2026?

As projeções variam entre as instituições: o Banco Central projeta 2%, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda projeta 2,3%, e a ONU e o Ipea estimam entre 1,6% e 2%. O PIB cresceu 1,1% no primeiro trimestre de 2026 frente ao trimestre anterior, segundo o IBGE.

Qual região do Brasil deve crescer mais em 2026?

Segundo o relatório do Santander de junho de 2026, a região Norte lidera as projeções estaduais, com Tocantins (3,85%), Roraima (3,62%) e Amazonas (3,04%) no topo. O Centro-Oeste também aparece entre os destaques, impulsionado pela produção de soja, milho e outras commodities.

Por que o crescimento do agronegócio desacelera em 2026 se a safra segue alta?

A desaceleração é estatística: 2025 teve crescimento de 11,7% na agropecuária, base de comparação muito alta. Em 2026, mesmo com produção elevada, o crescimento marginal é menor. Além disso, fatores como menor abate de bovinos e menor produção esperada de milho e arroz limitam a expansão do setor.

Como os juros altos afetam as regiões com mais agronegócio?

Diretamente. A inadimplência do crédito rural subiu nas regiões Centro-Oeste, Norte e Sul em 2025, pressionada pela Selic elevada e por margens apertadas para produtores que carregaram custos altos de insumos. Produtores que travam preço em janelas desfavoráveis sentem primeiro o impacto.

Qual o peso do agronegócio no PIB total do Brasil?

Em 2025, o agronegócio representou 25,13% do PIB brasileiro, segundo o Cepea/CNA, com valor total de R$ 3,20 trilhões — acima dos 22,9% registrados em 2024. Sem o setor, o crescimento da economia em 2025 teria sido de apenas 1,5%, em vez de 2,3%.

Tags:#PIB#agronegócio#Centro-Oeste#Norte#economia regional#Banco Central#Selic#safra 2026

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